Marcos Bastinhas: "Santo da casa faz milagre!"
Corrida
de toiros no Coliseu “Rondão de Almeida” no passado dia 1 de Maio, abriu a
temporada 2015 para os Elvenses na sua praça. Um cartel interessante, face aos
nomes anunciados e ao toureio que interpretam: Joaquim Bastinhas, Tito Semedo,
Sónia Matias, Ana Baptista, Pedro Salvador e Marcos Tenorio Bastinhas. Os
touros tinham a divisa de “Passanha”, e apesar de não terem a agressividade do
passado, ainda mantêm no seu encaste dificuldades muito próprias, reveladas por
alguns exemplares em Elvas. No capítulo de apresentação e presença a corrida
“estava preciosa”.
Joaquim Bastinhas foi no primeiro cavaleiro a actuar e como
já afirmámos muitas vezes o seu conhecimento do toiro e do toureio – acima de
tudo do seu toureio, que o publico quer e exige ver ao cavaleiro de Elvas,
rapidamente fica estabelecido o diálogo arena bancadas e vice-versa, uma
situação de comparar com qualquer outro toureiro, tal a continua força que
Bastinhas consegue impor ao longo de tantas temporadas. O recorte do “avião” montando
o “Amoroso”, hoje para além do par de bandarilhas, começa a ser também uma
marca de distinção no reportório de Bastinhas. E em Elvas planou duas vezes na
arena do coliseu. Notável e um exemplo, a frescura toureira deste veterano, que
nesta noite inteligentemente tapou a s dificuldades do seu adversário, com a
sua entrega e disposição para o êxito que alcançou. Tito Semedo chegou a Elvas
predisposto a bater o pé aos seus colegas, sobretudo aos Bastinhas a jogarem em
casa. Recebeu o seu toiro á porta gaiola, levou-o para os médios aí desenrolou
o seu reportório. Dobrando-se sempre com acerto e obrigando o adversário, tem
dois curtos de entrega e que lhe retribuíram os aplausos dos espectadores.
Fechou a sua actuação, como já vem sendo quase que habitual, com um ferro em
sorte de violino. Noite inspirada de Semedo, que lhe valeu os aplausos do
público e o sorriso do toureiro no final da sua actuação. Coube a Sónia Matias
o terceiro da ordem, um toiro que saiu solto dos capotes da quadrilha e
carregou com pata na montada da “baixinha”, provocando uma situação complicada
para a montada e toureira. Mas conhecendo os aficionados a capacidade de Sónia
Matias em lidar e superar rapidamente estas situações, em Elvas foi isso mesmo
– entrega e dar a volta por cima a um início de lide menos bom, foram a receita
aplicada para que o público se tenha entregado á sua actuação. Conseguiu-o e
mereceu a volta e os aplausos que escutou no final. Complicado o quarto que
saiu para Ana Baptista, parado e sempre em terrenos de tábuas, obrigou a
cavaleira a um esforço suplementar para resolver o problema. Apesar de toda a
sua entrega, denotou-se alguma fragilidade na quadra para suplantar as
condições adversas do “Passanha”. Agradou mas não deslumbrou. Pedro Salvador,
ou o renascido Pedro Salvador, voltou a fazer das suas em Elvas, com o seu
toureio de batidas, piruetas e empatia, que cria com as bancadas. Aproveitou e
entendeu as boas qualidades do “Passanha” que lhe tocou em sorteio e nos
curtos, com um ruço “Companhia das Lezírias”, montou o seu espectáculo, que o
público aplaudiu e validou premiando com uma justa volta a arena. O último da
ordem tocou a Marcos Tenorio Bastinhas e foi o pior do curro de “Passanha”. Foi
um toiro sério, mas manso, reservado e tardo a investir. No entanto Marcos
Tenorio não lhe admitiu veleidades. Não tendo um oponente colaborante, optou o
cavaleiro tirar o melhor partido do toiro, citando-o de largo, atacando-o,
entrando-lhe nos terrenos, enchendo-o de cavalo, obrigou-o assim a investir,
alcançando momentos de sobejada emoção e valor, tal a raça com que cravou cada
ferro. Foi uma lide onde Marcos Tenorio transmitiu uma segurança e maturidade
toureira, transformada em emoção, afinal um dos predicados para o sucesso junto
do público, do toureio praticado pelos toureiros de verdade. Todos nós temos os
nossos artistas, futebolistas, escritores, toureios. Indiscutivelmente em
Elvas, Marcos Tenorio Bastinhas, foi o meu “capitão”! No capítulo das jaquetas
de ramagens a noite não foi fácil. Por Monforte pegaram Luís Aranha e Nuno
Toureiro, este a alcançar um pegão no quarto da noite. Pelos Académicos de
Elvas pegaram Paulo Maurício e Luís Machado. Nos Amadores de Coimbra foram cara
Rui Martins e José Freire. O espetáculo foi dirigido pelo senhor Marco Gomes,
assessorado pelo médico veterinário Joaquim Guerra.
Francisco Santos
Fotos D.R. - Armando Alves, Hugo Teixeira, Fernando Marques, Maria Mil-Homens e Pedro Sena.



