Em Beja houve toureio para todos os gostos! Fernandes atacou, Bastinhas conquistou e Semedo apaziguou.

“Teve lugar no passado sábado, a 32.ª Ovibeja e integrada na feira, realizou-se uma corrida de toiros á portuguesa, sendo o seu cartel composto pelos cavaleiros Tito Semedo, Rui Fernandes e Marcos Tenorio Bastinhas, frente a toiros da ganadaria de “Passanha Sobral”, bem apresentados, com idade, que não sendo fáceis, o quinto da tarde foi extraordinário. Pegaram os Forcados Amadores de S. Manços, Cascais e Beja. Com uma temperatura ambiente quente e cerca de meia casa preenchida, deu ordem de início às cortesias o senhor Agostinho Borges, passavam dez minutos das dezassete horas. 


Tito Semedo foi o primeiro cavaleiro em praça denotando uma vontade enorme de se impor em “sua casa”. Inteligentemente aproveitou a transmissão e som que o seu toiro teve para cravar a ferragem em vistosos quiebros, rematando com os “de moda circulares em redor do hastado, com a montada a murchar a orelhinha na cara do toiro”. Modas! Agradou e deu volta. O quarto da tarde saiu muito pobre de forças e o cavaleiro não teve matéria com qualidade para brilhar. Esteve sério e com dignidade ao longo de toda a sua actuação, tendo que cuidar muito o seu adversário para que ele não “viesse por terra”. 


Rui Fernandes sorteou dois toiros distintos. O primeiro muito enraçado e de curta investida, o segundo bravo e de nobres investidas, entregando-se aos enganos e com uma cadência de galope nos ladeares das montadas de Rui Fernandes extraordinária, que permitiram ao cavaleiro da Costa da Caparica uma boa actuação e que chegou ao publico com força. Como não há bela sem senão, “inventou um par de bandarilhas”, que foi o senão da sua lide. No final da sua actuação justa volta á arena acompanhado pelos ganaderos. 


Marcos Bastinhas tem centrada em si todas as atenções neste início de temporada. Regressado após largos meses de uma paragem forçada, o cavaleiro demonstra em cada actuação que tudo isso pertence ao passado. Seguro e confiado recebeu o terceiro da tarde vistosamente, dobrando-se sempre muito bem com o toiro. Os compridos tiveram impacto no seu adversário que não deu facilidades, já que o que tinha de franco nas investidas contrastava depois com o génio que transbordava nas garupas das montadas após os ferros. Os curtos foram “cravados com descaramento” pela forma como sempre provocou o inimigo, encurtando distancias e carregando as sortes. Teve o público com ele ao longo da sua actuação e na volta final á arena. “Aceitando o desafio” de Rui Fernandes, patente na boa actuação deste no toiro anterior, Marcos Tenorio saiu á contenda e fechou a corrida com chave de oiro, rubricando uma excelente actuação, que teve como corolário um tremendo par de bandarilhas – resposta ou não ao companheiro, eles lá saberão – e que só aportou interesse e qualidade ao espectáculo. Espectáculo que valeu a pena e um daqueles que fazem o público voltar. Quanto aos forcados por São Manços pegarão João Fortunato ao quarto intento e Manuel Vieira e Paulo Guerreiro de cernelha á primeira entrada. Cascais teve como forcados da cara Carlos Dias pegou á sexta tentativa e Joaquim Faisco á primeira. Quanto ao grupo da cidade teve como forcados da cara Miguel Sampaio que consumou á quinta tentativa e João Fialho á primeira. 

                                                                                         Pedro Marques
                                                                       Fotos D.R. Emílio de Jesus