
Fim-de-semana
de Páscoa e diversos espectáculos taurinos por esse Alentejo aficionado, hoje
sede da maioria das ganadarias portuguesas de maior prestigio, “solera” e
antiguidade, assim como manancial no despontar de muitos jovens toureiros, e
berço também de muitas das figuras do toureio a cavalo. Enfim, Alentejo Baixo
ou Alto, o Portugal da nossa tauromaquia por excelência. Na Granja realizou-se um
festival a favor dos Bombeiros Voluntários de Mourão cujo cartel juntou os
cavaleiros Joaquim Bastinhas, Rui Salvador, Marco José, Pedro Salvador, Marcos
Tenório Bastinhas e o amador Bernardo Salvador. Anunciadas as ganadarias de
“Pinto Barreiros”, “Sommer de Andrade” e “São Torcato” e para os pegarem os
Amadores de S. Manços e Safara. Depois de tudo o que a tia Berta tinha contado,
com a expectatita de um forasteiro acompanhei-a até á praça. Na praça para além da chilreada dos mais
novos, aos quais se sobrepunham os dichotes dos castiços, aos quais em dias de
festa, o bebericar dos quartilhos solta a língua para a maroteira, preenchiam
quase um terço da bancada de sombra, já que o sol não perdoava a quem a ele se
juntasse nos lugares baptizados com o seu nome. Após as cortesias tocou o
clarim, e ao que parece está de moda os “bonitos” da corneta, para terem inicio
as lides. O primeiro de “Pinto Barreiros” foi para Bastinhas, saindo justito de
forças e a coxear de início da pata esquerda. O cavaleiro desde o início da
lide cuidou-o, tirando assim o melhor partido do seu oponente, num labor
agradável e que a todos pôs de acordo, valendo-lhe a volta a arena. O segundo
da tarde foi para Rui Salvador. Um “Sommer” todo apalpadinho dos quartos
traseiros. Tal como no primeiro da tarde o director de corrida, o senhor Marco
Gomes, a mando da senhora veterinária fez soar a corneta. Apesar disso e
perante o espanto dos toureiros, deu ordem de seguimento às lides. Rui Salvador
dentro do seu corte de toureio de ataque, facilmente levou de vencida o seu
adversário, premiado no final também ele com a volta á arena. O terceiro da
tarde, outro “Sommer”, também escorridito de carnes, foi para Marco José, que
apesar de um início morno, viria depois com o rodadíssimo e talentoso
“Girassol”, a aquecer a sua actuação, dando-lhe também no final da sua lide, o
prémio da volta á arena. O quarto da função foi um “S. Torcato” que apesar de
pequeno, estava bem apresentado e em tipo da ganadaria do saudoso Simão Malta.
Saiu com pata e a carregar nas investidas, esteve sempre pendente de Pedro
Salvador, a quem o coube lidar e melhor o fez. O quinto da ordem, um exemplar
negro da prestigiada ganadaria de “Pinto Barreiros; a “mãe” e pilar do campo
bravo em Portugal, saiu á arena cego da vista direita e tocou em sorte(!!) a
Marcos Tenorio. Para espanto de todos desta feita não soou a corneta, nem a
veterinária nem o director de corrida senhor Marco Gomes esboçaram alguma
atitude para devolverem aos currais o “cegueta” de “Pinto Barreiros. Marcos
Tenorio toureou e nem pelo facto de ter pela frente um toiro cego, deixou se se
entregar, e o público valorou-lhe a postura, pedindo a volta á arena ao
cavaleiro, ao que este entendeu não dever aceder. Em último lugar actuou o
amador Bernardo Salvador. E enfrentou o seu adversário com casta e
desenvoltura, sem dúvida um apanágio da casa Salvador. Procurou fazer tudo com
alinho, o que foi conseguindo, agradando assim ao público que lhe tocou as
palmas. Sobre os grupos Forcados Amadores de S. Manços e Safara, com
inteligência, alguma técnica e muita coesão, pegaram com a garra que supera os
problemas que os novilhos/toiros por vezes deram indicação de irem levantar. E
assim, na Granja, assisti a uma corrida de “sábado” de Páscoa. No caminho de
volta a casa, notei que a tia Berta vinha calada e olhando-a, vi nos seus
bonitos olhos verdes, vividos de histórias de muitas primaveras encantadas, o
relampejar de alguma tristeza. Afinal a sua festa de sábado de Páscoa, não teve,
o perfume encantado da ressurreição primaveril do seu Alentejo.
(Pedro Oliveira)
 |
| foto Hugo Calado |
 |
| foto Hugo Calado |
 |
| foto Hugo Calado |
 |
| foto Hugo Calado |
 |
| foto Hugo Calado |
 |
| foto Hugo Calado |
"Habitualmente não escrevo, já o tentei fazer, mas de facto não tenho muita habilidade para a coisa! Mas de facto, não posso deixar de falar um bocadinho da corrida de ontem em Sousel, já que o cronista Zé Luís não pode estar presente. No passado ano, também fiquei por terras alentejanas para poder ir à tão famosa corrida de 2ª feira de Páscoa em Sousel, mas o São Pedro não me deixou! Este ano, contra todos os santos que nos molham a terra, a corrida realizou-se. E não posso deixar de contar que ainda estava a tentar arrumar o meu carro no meio de árvores e pedras, e já estavam uns simpáticos senhores e senhoras a convidar-me para almoçar! Pena que já tinha almoçado, mas para o ano que vem, não falho, às 11h lá estarei! Depois de andar de "tenda em tenda" a visitar amigos e a provar um ou outro "copinho" de vinho, fiquei encantada com o ambiente que se vive por ali.
Estava tudo perfeito e até o Solinho deu o ar da sua graça. Começou então a corrida, Ana Batista (com uma casaca que dava vontade roubar e vestir :) de tão linda que era ), Marcelo Mendes, e Rui Guerra, os forcados de Alter do Chão e Monforte, os grupos de amigos a cantar na praça, o sorriso na cara das pessoas, tudo me encantou. Ana Batista esteve bem, bons ferros cravados e a classe, elegância e simpatia de sempre, os novilhos não dificultaram a tarefa e o público estava entregue à cavaleira de Salvaterra. Marcelo Mendes, no seu primeiro novilho andou discreto mas acertado, uma lide calma. No seu segundo novilho, depois dos compridos, foi buscar a estrela que mais brilha na sua quadra, o "Único" ele dança, salta, chama o toiro, enfrenta-o olhos nos olhos, como se uma dança se tratasse. Não tiro de maneira nenhuma valor ao Marcelo, pois sou testemunha do trabalho diário que tem com toda a sua quadra, mas de facto por muito menos já vi cavalos darem a volta a arena, o "Ùnico" merecia! Não podia ter melhor nome! O público entendeu bem e ovacionou ambos de pé. Rui Guerra, foi uma agradável surpresa, está mais maduro e sente-se firmeza no seu querer. Cravou ferros magníficos. Está bem acompanhado, montado e apoderado, e isso é fundamental para um toureiro triunfar. Os Forcados de Alter realizaram 3 boas pegas, dando destaque à primeira da tarde, ao primeiro intento por João Titá, as restantes ao segundo intento por: Filipe Lucas e Nuno Lopes.O Grupo de Monforte, é público que são os meus forcados, e por isso foram os melhores;)João Diogo, concretizou para mim a pega da tarde ao primeiro intento e João Falcão teve menos sorte e apenas ao quarto intento concretizou, António Ferreira fechou com chave d'ouro, a sua segunda vez a pegar foi um sucesso. Parabéns a todos os artistas, organizador, dá gosto vir aos toiros assim. Corrida dirigida e bem, por Marco Gomes."
site "porta dos sustos" crónica de Maria João Mil-Homens