De Monforte suou o êxito de Marcos Bastinhas.


A favor dos Bombeiros Voluntários de Monforte e com um cartel interessante, realizou-se esta tarde naquela vila alentejana uma corrida de toiros cujo cartel foi composto pelos cavaleiros: Joaquim Bastinhas, Ana Baptista, João Moura Caetano, João Moura jr, Marcos Tenorio Bastinhas e Miguel Moura. Lidaram-se toiros de diferentes ganadarias: "Passanha", "Sommer de Andrade" e "Maria Guiomar Moura". Quanto aos Grupos Forcados, pegaram os Amadores de Alter do Chão, Monforte e Coimbra. O público preencheu cerca de três quartos da actual lotação da praça de toiros de Monforte. Joaquim Bastinhas esta tarde em Monforte voltou a mostrar o grande momento que atravessa, momento que vem já desde a temporada passada e ao que parece vai prolongar-se, já que o poder do cavaleiro em cada actuação é mais acentuado, tanto face aos toiros, assim como perante os colegas, tal a garra que o cavaleiro de Elvas imprime às suas lides. Esta tarde em Monforte demonstrou-o perante um “Passanha” com presença, reservadote mas que acabou por se deixar. Bastinhas foi moldando-o ao seu estilo e alcançou com o “Amoroso” o caminho do sucesso. Terminou a sua actuação com o “Duque”, provando que está noutra divisão. O segundo da tarde pertencia á ganadaria sediada em Barbacena de “José Luís S. Vasconcellos Andrade” e coube a Ana Baptista, que teve por diante o toiro mais complicado da tarde e com o qual naufragou, apesar de todo o empenho que pôs na sua lide. João Moura Caetano lidou um “murube” com muito pouca presença, mas deveras colaborador: uma tourinha. Moura Caetano demorou em encontrar-se, passando em falso por diversas vezes. No entanto nos curtos com o “Temperamento” a obra refinou-se e a partir daí a sua actuação teve mais consistência. Mudou de cavalo para terminar a lide com um muito bom último curto. 


João Moura jr abriu a segunda parte da corrida, uma segunda parte marcada pela competição entre dois jovens cavaleiros, que puseram a “chispa” mais do que necessária para o espetáculo seguir num nível deveras interessante. Moura jr assentou o seu toureio nos quiebros e no galope a duas pistas e fê-lo com elegância aproveitando o galope suavão do seu oponente. João Moura jr construiu toda uma actuação muito no estilo do toureio Mourista e que resultou em pleno junto do público. 


Marcos Tenório teve uma actuação que marcou a tarde frente a um “Passanha” que saiu com pata e a empurrar e ao qual o cavaleiro deitou a mão logo quando o recebeu dobrando-se com ele a mostrar quem mandava na arena, cravando o primeiro comprido a impôr respeito. Com o “Capa Negra” depois de dois compridos crava ainda um curto, tendo já a posse do seu adversário. Com o “Sol” selou em definitivo o êxito da sua actuação, que reafirmou e encerrou com o “Bombom”. O último da tarde foi para Miguel Moura que se desembaraçou dele com alguma velocidade, já que as montadas a pouco mais permitiram apesar do empenho do mais jovem do clã Moura. O seu hastado cedo se colou aos médios, donde por vezes saía com arreões mais violentos. Apesar de ter arriscado Miguel demonstra ainda alguma fragilidade no seu toureio, que apesar de ter intensão, falta-lhe ainda em solidez, que provavelmente com uma quadra “mais equilibrada” seja uma aresta limada. Quanto aos grupos forcados destacaram-se sobretudo pela entrega, pelo querer, porque por vezes a técnica ficou muito aquém do desejável. Ainda uma chamada de atenção, desta feita ao cornetim. Todos devem saber qual é a sua função e a posição que têm no espectáculo. Um “brilharete” num toque de saída de um toiro tolera-se. Agora em cinco toiros enjoa senhor! As figuras do espectáculo são os cavaleiros e para eles os aplausos. Dirigiu com acerto e sem sobressaltos o senhor Marco Gomes.
                                                                                                 Francisco Santos